Redes de Aprendizagem
Cultura Jovem
Eles se acham engraçados e originais.
Confiam em si mesmos e desconfiam dos políticos até a ponta do cordão
cuidadosamente desamarrado do tênis. Querem terminar os estudos, ter sucesso na
carreira. O dinheiro não é tudo, mas contam com uma vida confortável, uma boa
casa, uma família feliz. Adoram televisão, ouvem pirâmides intermináveis de
cds, saem muito com os amigos. Não estão com cabeça para reflexões filosóficas.
Usam jeans e camiseta, bem descontraídos e de preferência com boas etiquetas.
Devoram hamburgers e dedilham computadores com presteza.
Qualquer pessoa pode identificar nessas
condições um retrato dos jovens que inundam os shoppings e engarrafam o
trânsito na saída de colégios de classe média e estará certa. Jovens brasileiros?
Acrescentem-se à lista americanos de todas as origens étnicas e homogêneos
tailandeses, argentinos, egípcios e franceses, russinhos para os quais o
comunismo não é mais nem um retrato na parede, coreanos expeditos, ingleses,
alemães. O planeta teen, com todas as diferenças nacionais, é hoje
extraordinariamente parecido, numa escala como já mais se viu antes.
Pela primeira vez na História da
Humanidade, existe uma geração que, em escala planetária, sob o bombardeio de
uma onipresente indústria cultural e com extraordinário acesso à informação,
sente, ouve e vê as mesmas coisas.
A globalização se dá sob o arrasador
poder de fogo da cultura americana. Feche os olhos e tente imaginar a
quantidade de jovens que, neste exato momento, em todo o planeta, estão ouvindo
a banda Green Day, pensando em dar uma volta para comer um Big Mac ou
comentando o filme Pulp Fiction. Os jovens de classe média alta demonstram uma
impressionante unanimidade de aspirações. Não estão interessados em expressar
rebeldia nem em deflagrar movimentos de contestação. A preocupação com o meio
ambiente, martelada desde a infância nas cabecinhas desta geração, não consta
da lista de prioridades nem de 50% dos adolescentes.
Independentemente da latitude em que vive o jovem global é dono de uma
autoconfiança que beira a arrogância. O jovem tem muita confiança no seu
potencial, isso é bom porque lhe dá mais força para lutar por suas metas.
Essa
auto confiança quase delirante, é agora acompanhada por uma marcante
preocupação com a morte. O banditismo nas grandes cidades e os vírus letais
assombram cada vez mais as cabecinhas em formação, em meio a um clipe do
Cranberries e a uma jogada sensacional do Shaquille O`Neal. Entre as
preocupações mais intensas relacionadas ao assunto, registradas no total, estão
a saúde dos pais, a própria, a AIDS e, principalmente, perder quem ama.
Na década de sessenta, os pais do jovem
global provavelmente não acreditavam em ninguém com mais de trinta anos. Mas
agora a história é outra: os filhos mostram que o conflito de gerações passa
por uma fase de baixa intensidade.
O que os adolescentes mais gostam de fazer é saudável, positivo. Seja
rap ou funk, seja jazz, samba ou axé music, qual for o tipo de música, só faz
bem. O único mal que a música pode causar é provocar alguma deficiência ou uma
diminuição da capacidade auditiva, porém só se ouvida muito alta,
excessivamente alta e por muito tempo.
Atividade 2.1- Mapeamentos Iniciais
Nas experiências e
diálogos com outros educadores e pais, quais comentários são comuns a cerca da
cultura jovem, permeada por tecnologias?
São
comuns os comentários que os jovens estão ficando cada vez mais ociosos pois
ficam na frente do computador a maior parte do tempo, tem muitos amigos virtuais
e poucos amigos reais, perdem a noção do tempo quando estão interagindo com as
tecnologias...
Em
contrapartida também há comentários que o jovem tem maior facilidade em manusear
as tecnologias, possuem uma gama de informações a disposição em tempo real,
conseguem se comunicar rapidamente.
Vocês também percebem
preconceitos e estereótipos depreciativos?
Sim,
pessoas que dominam as tecnologias e dedicam uma grande parte do seu tempo
nessa área são rotuladas como “nerds”, e isso pode ser um motivo de vergonha
para os jovens.
Em contraste, quais
virtudes das novas gerações também aparecem nos diálogos?
Esses
jovens são criativos e bem humorados, basta observarmos uma infinidade de
vídeos na internet e outras criações que dependem das tecnologias.
São
inteligentes, apresentam facilidade em manusear as novas tecnologias.